Balanço da Folia
- Denise Flores

- 15 de fev. de 2018
- 2 min de leitura
Corpo ainda tá doendo. Mas é aquela dor boa porque andei muito, pulei e dancei.
Jornais dizem que o carnaval de BH foi o segundo melhor do Brasil (Google disse que foi o primeiro). Sei lá os critérios para medir isso.
Sei que foi um carnaval diversificado. Teve festa para quem queria pagar, mas o mais importante, as ruas foram tomadas. A cidade foi ocupada. Com temas, cores e bandeiras.
Teve música e atrações para todos os gostos.
Minha lista tem: Queimando o filme, Sagrada Profana, Ladeira Abaixo, Alô Abacaxi, Angola Janga, Corte Devassa, Peixoto e Manjericão.
Por escolher blocos com os quais simpatizo, que levantam bandeiras que acho importante talvez, mesmo no carnaval eu tenha ficado na bolha.
Mas foi bom saber que se por um lado "a rede" pirou com os peitos naturais da Bruna Marquezine, eu me vi muitas vezes ao lado de mulheres desfilando seus peitos, lindas e orgulhosas. E as pessoas não pareciam se incomodar. Com um destaque carinhoso para a força feminina do Sagrada Profana.
Vi duas fotos diferentes com a infeliz e preconceituosa ideia de chamar jovens negros de "bloco do peguei seu celular".
Mas aqui tivemos o Bloco Angola Janga. Que energia! Que força! Que coisa linda!
Alô Abacaxi celebrou um casamento gay. Desfilou a diversidade. Corte Devassa, nem se fala. Ambos usaram os microfones para falar sobre homofobia, transfobia, e tantos outros preconceitos que matam diariamente.
Manjericão levou o verde para as ruas. Legalize. Legalize. Legalize.
Não fui ao Tico Tico Serra Copo, mas tô sabendo que a experiência de ocupação do túnel foi incrível.
Ocupar, sempre. A cidade é nossa.
Também não estive no Filhos de Tcha Tcha onde, infelizmente, a PMMG lembrou a importância da resistência. Sem PM não há violência. Carnaval não é caso de polícia.
Foi o carnaval do "não é não". Maluco que isso precise ser dito em pleno 2018. Mas que bom que está sendo dito, nas ruas, na publicidade, nos corpos. Que é para todo mundo aprender.
É preciso sair da bolha, eu sei.
Mas também é incrível ver que o carnaval também é lugar de luta. Quem empunha uma bandeira na qual acredita, leva ela onde quer que vá.






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